A dor é conceituada pela Associação Internacional para Estudos da Dor (IASP) como uma experiência que envia estímulos sensoriais desagradá- veis associados à lesões nos tecidos 6. É classificada em dor aguda, quando há alguma lesão no organismo, e dor crônica, que caracteriza-se por uma duração superior a seis meses (podendo ou não estar associada à lesões)1,6,7.

A dor crônica, considerada um problema de saúde pública, é uma patologia reconhecida pela 10a Revisão do Código Internacional das Doenças (CID-10) da Or- ganização Mundial da saúde1,3-7 . Estima-se que no Brasil aproximadamente 30% da população sofra com esse problema7.

A população idosa é a mais suscetível às dores crônicas, estima-se que 80% a 85% dos indivíduos com mais de 65 anos apresente pelo menos um problema de saúde que os faça sofrer com a dor. Pesquisas demonstram que, na maioria, as dores são diárias e contínuas, frequentemente associadas à depressão e ao declínio cognitivo, sendo influenciadas por fatores sociais, culturais, individuais e psíquicos 1,6-9.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor (Sobramid), Paulo Renato Fonseca “A dor, de modo geral, talvez seja umas das situações humanas que mais causam sofrimento. Não só a dor causa um sinto- ma desagradável em quem está doente, mas traz repercussões biológicas, psicológicas, sociais, espirituais, isolamento, sentimento negativo e problemas de ordem familiar”11.

Entre as dores crônicas as mais comuns nessa faixa etária são: dor lombar crônica, dor miofascial, fibromialgia, nas articulações, face, boca, pescoço, dores de cabeça, enxaquecas, neuropatia.

Há um consenso entre os profissionais da área da saúde de que a atividade física é fundamental para a melhora da dor crônica e para um envelhecimento saudável1,6,10. Um fator extremamente importante é que o exercício físico precisa ser bem orientado por um Educador Físico competente e especializado, principalmente para o trabalhar com idosos, garantindo um programa seguro, com atividades e intensidades que vão ao encontro das necessidades de cada indivíduo1,4.

Para prevenir e controlar as dores, os médicos indicam, além da prática de exercícios, correção postural, controle do peso e de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Ao mesmo tempo em que as dores sinalizam doenças, podem agravar condições crônicas e gerar quadros de sedentarismo e obesidade 11 e exercícios físicos bem orientados demonstram uma melhora efetiva, favorecendo o alivio da dor e minimizando a incapacidade funcional1,3-6,11.

Apesar de todo o conhecimento sobre os benefícios dos exercícios um dos grandes problemas é a adesão3,10. A adesão às atividades físicas é complexa e pos- sui vários fatores associados10. Estudos apontam que esses fatores estão relaciona- dos a uma associação positiva ou negativa em relação aos exercícios físicos.

O início de um programa de exercício físico pode ocasionar um aumento das dores, que desaparecem com a continuidade da prática. A analgesia induzida pelo exercício físico proporciona a diminuição da dor pelo sistema opioide endócrino, com liberação de endorfina, serotonina e dopamina, que aumentam a tolerância à dor, podendo levar a diminuição das terapêuticas farmacológicas para controle da dor.2

Alem do mais, demonstram que os benefícios não são somente físico, os psicológicos também se fazem presentes melhorando a ansiedade, depressão, angus- tias, qualidade do sono, como também a capacidade cognitiva e favorecimento da auto estima 1,3,-7.

Referências

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